terça-feira, 18 de outubro de 2016

CONSULTÓRIO: Como transformar um “Não sou capaz” num “Eu consigo!”

(texto escrito por Cátia Teixeira, psicóloga clínica da Oficina de Psicologia)


Foto: pinterest
“Tu consegues!”, “Não desistas!”, “Continua!”…

Quantos pais já não usaram estas palavras para incentivar os seus filhos, seja a dar os primeiros passos, a aprender a andar de bicicleta ou a fazer alguma tarefa escolar? As crianças confrontam-se com desafios todos os dias, uns maiores do que outros. A perseverança, capacidade para permanecer nas tarefas, mesmo perante a dificuldade, é importante para que se consiga ir superando os obstáculos que surgem ao longo da vida e para alcançar objetivos. Então o que fazer quando seu filho frustra facilmente? Quando a frase “Não sou capaz” é dita várias vezes aí por casa? Como ajudá-lo a tornar-se mais perseverante?

Embora a perseverança seja um traço característico do temperamento de cada um, a verdade é que também pode ser estimulada e por isso deixamos algumas orientações que o poderão ajudar a este nível.

Incentive o seu filho a ter sonhos – não queira determinar os sonhos do seu filho, é importante que seja a criança a escolher o seu caminho. Converse com o seu filho para saber o que ele pensa, quais os seus gostos, as suas capacidades e respeite a sua individualidade.

Estimule e elogie as ideias do seu filho – se o seu filho lhe traz uma ideia nova e a resposta que ouve é que é um disparate ou que ele nunca conseguirá fazer isso, vai transmitir-lhe a mensagem de que ele não é suficientemente bom. Utilize essas ideias para estimular a exploração e a descoberta de coisas novas.

Não proteja demais – é natural querer que o seu filho não sofra, mas se ele não se confrontar com dificuldades não aprenderá a lidar com as frustrações. Esteja por perto e ajude a lidar com as dificuldades, em vez de as evitar ou de resolvê-las pelo seu filho.

Explique a importância do compromisso e da dedicação no dia-a-dia contando-lhe histórias dos ídolos do seu filho, para mostrar que o sucesso exige dedicação e persistência.

Não faz mal errar – Evite frases do género “Como é que pudeste errar isto?” ou “Como é que não foste capaz de fazer isto?”, pois deste modo está a reforçar a ideia que o seu filho tem de que ele não é capaz e passa-lhe a mensagem de que ele tem de fazer sempre tudo bem. Errar é uma oportunidade de aprender e melhorar da próxima vez.

Valorize o esforço – é esforçando-se que o seu filho vai desenvolver capacidades. Se o seu filho não conseguiu alcançar sucesso nalguma atividade, valorize o seu esforço e explore com ele o que não correu tão bem e encoraje-o a tentar fazer melhor numa futura oportunidade.

Exija na medida certa – exigir demasiado do seu filho em algo que ele não é bom, por exemplo, num desporto, só o irá frustrar ainda mais. No entanto, não exigir nada também não incentiva a que tente melhorar. Exija na medida certa, passando a mensagem de que todos podemos errar e que com isso podemos melhorar.

Ofereça suporte emocional – se o seu filho quer desistir de algo, tente perceber porquê. Ele pode querer desistir porque não gosta de determinada tarefa e isso é aceitável, não tem de gostar de tudo, mas se ele quiser desistir de tudo o que começa, isso pode ser um sinal de insegurança e, neste caso, o seu filho precisa da sua ajuda para lidar com esta emoção. Explore com ele formas de superar esses medos, experimente com ele as atividades em casa antes de ter de o fazer perante outros, partilhe histórias de pessoas que passaram pelos mesmos receios. Insista que ele deverá tentar fazer a atividade durante mais algum tempo, mas diga-lhe que sabe que vai ser difícil para ele. Se a resistência persistir tente perceber o que se está a passar, caso a atividade seja fora de casa.

Ensine ao seu filho que ele não tem de fazer tudo de uma vez. Ajude-o a perceber que quando ele se sentir aborrecido, frustrado ou cansado, pode parar a tarefa durante um tempo e voltar a ela mais tarde.

Modele a perseverança – mostre ao seu filho o que costuma fazer para conseguir alcançar algum objetivo, fale-lhe sobre os seus sentimentos nessas situações, incluindo aquelas em que sente que são muito difíceis.

Consegue? :)

Cátia Teixeira
Psicóloga clínica

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